Máscara rústica

Kashalpynya Korubo

Kashalpynya Korubo, OrlandoBrito

Homem do mato. Isto é o que significa o nome Kashalpynya, no idioma dos índios da etnia korubo, que habitam a Amazônia, nas fronteiras de Brasil, Peru e Colômbia. Segundo consta, são nômades e canibais.

Como foi – Há mais de três anos fotografo o Korubo. Ele está sempre metido em todo tipo de manifestações na Esplanada dos Ministérios. Faz presente na linha de frente de todos os protestos em Brasília, por mais antagônicos que sejam os movimentos. Num dia, empresta sua voz e imagem aos sem terra, noutro aos ruralistas, por exemplo.

Mas no dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal da questão da demarcação da reserva Raposa Serra do Sol ele ficou ao lado dos índios. E apresentou-se dessa maneira aí, com o rosto inteiramente coberto por barro, uma máscara rústica de argila. Bem de acordo com o nome que lhe deram em sua tribo.

Orlando Brito

Rolando na lama

Serra Pelada

04 b

Entre os anos de 1977 e 1983 o Brasil viu acontecer a maior migração interna de sua história. Garimpeiros, comerciantes, desempregados, pilotos de avião, geólogos, religiosos, profissionais liberais, prostitutas e todos os tipos de aventureiros foram tentar o futuro nas terras do Pará. Mais precisamente em Serra Pelada.

Foi necessário que o governo do general João Figueiredo, então presidente da República, designasse um interventor, o major Sebastião Curió, para controlar a multidão de 80 mil pessoas. As minas de ouro da Serra Pelada formavam um verdadeiro formigueiro humano, com gente de todas as regiões do país. Literalmente, enfiavam a cara na lama em busca da sorte.

Serra Pelada ficou conhecida como o maior garimpo a céu aberto do mundo. No auge da exploração, em 1983, chegou a produzir 14 toneladas de ouro. Hoje, a mina é explorada de maneira bem diferente, com máquinas de última geração e sem a presença das hordas de garimpeiros.

Orlando Brito