Cartas para Saramago

O escritor e sua correspondência. foto Orlando Brito

O escritor português José Saramago recebe as correspondências que chegam a seu endereço de Lisboa. “Rua dos Ferreiros, 36, à Estrela”, como ele mesmo dizia. 1993.

Eu estava em Portugal para fazer com o colega Luís Costa Pinto várias matérias para a Veja, revista em que trabalhávamos. Uma dessas reportagens era com o José Saramago. O famoso autor de vários best-sellers resolvera mudar-se para Lanzarote, uma das ilhas Canárias, depois que seu livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi censurado em seu próprio país, em 1991.

Ao lado da mulher espanhola Maria Del Pilar, Saramago dizia ter encontrado o lugar ideal para meditar e escrever. Não tirou o pé de Lanzarote durante meses. Mas sempre voltava a Lisboa para, principalmente, atualizar e conferir a correspondência. Afinal, um ganhador do Prêmio Nobel de Literatura recebe mensagens de admiradores e amigos de todo o mundo.

O carteiro já sabia que dificilmente encontraria o famoso destinatário e por isso confiava as cartas ao dono da singela Quitanda do Mascote, vizinha do modesto apartamento de Saramago, na Rua dos Ferreiros, número 36, no Bairro da Estrela, um dos mais tradicionais da agradável da capital portuguesa.

José Saramago recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1998. Faleceu em 2010, aos 78 anos.

Solo de acordeão

Fotografia é História
Affonso Camargo

affonso e acordeon
Numa campanha eleitoral, os candidatos sempre revelam aos eleitores aspectos surpreendentes e pitorescos de suas vidas. No caso de Affonso Camargo, que em 1989 concorria à presidência da República, foi seu lado musical. O ex-governador do Paraná e então senador pelo PTB, às vezes mostrava em seu programa do horário da propaganda eleitoral suas habilidades com um acordeão. Na TV, Affonso, que fora também ministro dos Transportes, respondia uma a uma as cartas de seus eleitores e algumas vezes, com sua sanfona de 120 baixos, tocava valsas e boleros do cancioneiro popular. Faleceu em março do ano passado, aos 82 anos.

A cobertura de uma campanha eleitoral é algo fascinante. Ainda mais aquela, a primeira com voto direto desde 1960. Eu cobria para a Veja as viagens, os comícios e a movimentação de Fernando Collor, que acabou sendo eleito. Mas, evidentemente estava embevecido por um evento tão importante para a democracia. Acabei retratando todos os concorrentes ao Planalto: Lula, Covas, Brizola, Ulysses, Enéas, Caiado, Afif, todos incluindo o doutor Affonso.