O marechal

Alfredo Stroessner

Stroessner grande, OrlandoBrito

Houve uma época em que a grande maioria dos países da América Latina era comandada por ditadores. O Paraguai era um deles. O marechal Alfredo Stroessner o presidiu durante longos 35 anos, período que só perde para Fidel Castro em Cuba. Stroessner chegou ao poder com um golpe de Estado que derrubou Federico Chávez, em 1954. Com eleições de lisura duvidosa, ficou por sete mandatos, apoiado pelo partido Colorado. Só saiu em 1989, deposto por outro golpe militar. Conseguiu asilo em Brasília, aonde morreu em 16 de agosto de 2006.

Como foiO jornalista Pedro Rogério sempre soube, desde a época em trabalhávamos no jornal O Globo, que tenho os olhos e minha câmara voltados para os personagens e assuntos da política. Alertou-me que não podia deixar de registrar uma imagem que presenciara na Península dos Ministros havia poucos dias e que marcara sua memória: o ex-poderoso Alfredo Stroessner sentado a uma cadeira de rodas, protegido por um guarda-costas, solitário e em silêncio, com o olhar atravessando o luminoso céu de Brasília, em direção ao Paraguai.

Foi a última vez que fotografei o marechal Alfredo Stroessner. Ele morreria meses depois, aos 94. A primeira foi esta aí: ele desembarcava do Viscount presidencial para inaugurar com o general Garrastazu Médici, então presidente brasileiro, uma ponte sobre o Rio Apa. Era julho de 1971 e Stroessner estava no poder havia “somente” 17 anos. Ficou por outros 18.

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