Taiguara no palanque

Além do Poder

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Comício do Diretas-Já no Rio, em 1984: o cantor e compositor Taiguara discursa, ao lado de Tancredo, Montoro, Chico Buarque, Osmar e Lucélia Santos.

Taiguara Chalar da Silva – artista brasileiro nascido no Uruguai durante uma temporada em que seus pais faziam shows musicais no país vizinho – era considerado inimigo do regime que governou o Brasil entre os anos 1964 a 1985.

Como foi – 1995. Collor havia deixado a Presidência fazia três anos e resolveu passar uns dias em Cuba com a ex-primeira dama Rosane. Fui a Havana fazer uma reportagem com o casal. Na ida, no avião, sentou-se na poltrona vizinha à minha o tímido Taiguara. Pusemo-nos a relembrar os festivais musicais da tevê Record e da Globo, da época da censura aos jornais e das passeatas de protesto contra o governo dos militares etc.

Taiguara falou-me das duas vezes em que esteve no exílio. Falei-lhe de meu trabalho como jornalista. Revelou-me que ia a Cuba dar seqüência a um tratamento de saúde. Disse-lhe que uma cobertura marcante entre tantas que fiz foi o comício do Diretas-Já, na avenida Presidente Vargas, no Rio. E que, por coincidência, o havia fotografado durante seu discurso no palanque.

Emocionado, Taiguara pediu-me que lhe enviasse a foto – essa aí – pelo Correio. Ele a queria para seu álbum de lembranças quando retornasse para sua casa, em São Paulo. Ao voltar ao Brasil, foi uma das primeiras providências que tomei.

Taiguara não teve tempo de responder à minha correspondência. Morreu de câncer no intestino meses após, em fevereiro de 1996.

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