Cerimonioso Palácio

O sentido da rampa

Figueiredo na rampa, OrlandoBrito 66

Nos idos de 1984, o presidente João Figueiredo chega ao Palácio do Planalto. A acompanhá-lo, os generais Danilo Venturini e Golbery do Couto e Silva, além do chanceler Ramiro Saraiva Guerreiro. Mais atrás, o diplomata-chefe do Cerimonial da Presidência e o ajudante de ordens.

Como foi – A cerimônia de subida e descida da rampa do Planalto era, na época dos governos militares, acontecimento contumaz. Os repórteres e fotógrafos que cobríamos a Presidência estávamos sempre presentes a ela porque era matéria muitas vezes publicada nos jornais.

A rampa é peça característica da leveza dos traços da arquitetura de Oscar Niemeyer, autor do projeto do edifício construído para ser a sede do Poder Executivo. Ele dizia que optou por essa forma para simbolizar que as questões do País podem chegar ao presidente de maneira suave, sem os solavancos dos degraus de uma escada.

A solenidade resulta da recomendação que o então presidente Juscelino Kubitschek fez ao protocolo da Presidência. Era mais uma inovação de JK. Queria despertar o caráter cívico nos visitantes da Praça dos Três Poderes, aproximar o Chefe de Nação do povo.

Para relembrar: Jânio Quadros e João Goulart tiverem mandatos curtos e praticamente não puseram os pés na rampa. Já os marechais Castello Branco e Costa e Silva, assim como os generais Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo eram assíduos. José Sarney, já nos tempos da Nova República, reduziu para uma vez por mês.

O último presidente a cultivar esse hábito como atividade regular foi Fernando Collor de Mello. Convidava personalidades – o campeão de Fórmula Um, Ayrton Senna, por exemplo – para acompanhá-lo quando descia, nas sextas feiras, encerrando a rotina de trabalho da semana.  Os que o sucederam – Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva e, agora, Dilma Rousseff – pouquíssimas vezes o fizeram.

Para dar colorido especial à festa, soldados do Batalhão da Guarda Presidencial e dos Dragões da Independência usam uniformes de gala. Hoje, a cerimônia acontece somente para receber visitantes ilustres de outros países que visitam o Brasil.

OrlandoBrito

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