Os sertanistas

Heróicos Villas-Boas

Heroicos Villas-Boas, OrlandoBrito 66

No momento em que a questão indígena se torna uma das mais inquietantes do Brasil, vale recordar que Orlando e Cláudio Villas-Boas foram dois dos sertanistas que mais lutaram para que os índios tivessem convivência adequada quando em contato com a população branca. Eram seguidores fiéis da teoria do marechal Rondon de que no futuro os povos das florestas viriam sofrer com o avanço do progresso e teriam sua cultura e identidade ameaçadas.

Orlando (à esquerda), o mais velho, foi indicado duas vezes para receber o Prêmio Nobel da Paz e ganhou cinco títulos de Doutor Honoris Causa de importantes universidades brasileiras, além de condecorações de entidades internacionais. Em meados de 2000, foi demitido da Funai. Dois anos depois, morreu em São Paulo, aos 88 anos. Ao lado de outros dois irmãos, Álvaro e Leonardo, se embrenharam nas matas de Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Pará e Amazonas, dando início nos idos de 1943 à pioneira Expedição Roncador-Xingu. Com Noel Nutels e Darci Ribeiro, criaram o Parque Nacional do Xingu, no curto governo Jânio Quadros.

Como foi – No ano de 1990, recebi da Fundação Vitae, de São Paulo, a bolsa de Fotografia da entidade preocupada com a memória do País. Meu projeto era documentar oitentões e noventões que atingiram a notoriedade, cada um em sua área de atuação. Estive em sua casa dos Villas-Boas, na capital paulista. Foi lá que os fotografei para o livro “Senhoras e Senhores”, publicado em 1992. Por quase duas pude ouvi-los sobre a criação do Parque Nacional do Xingu, para onde eles abrigaram várias etnias, entre elas os kamaiurá, krain-a-kore, yawalapiti, kuikuro e waurá.

OrlandoBrito

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