A noite do AI-5 – Fotografia é História

Ouvir e sair

Ouvindo e saindo 2, OrlandoBrito 66

A noite de sexta feira 13 de dezembro de 1968 ficou marcada como um dos momentos mais sombrios para a democracia brasileira. O governo do marechal Costa e Silva decretava o AI-5, Ato Institucional Número Cinco, que fechou o Congresso Nacional e cassou o mandato de vários parlamentares.

Como foiEu cobria para O Globo os assuntos da política. Senti que a notícia estava na Presidência da República, mas seu efeito se mostraria no Congresso. Atravessei o Eixo Monumental, a avenida que separa o Palácio da Câmara e Senado. No Planalto não havia nenhuma foto a ser feita, a não ser a de um contínuo aborrecido distribuindo aos repórteres as cópias do decreto presidencial.

Atravessei a Avenida N1, que separa o a sede do Executivo do Legislativo. Numa salinha do térreo abarrotada de senhores atônitos, consegui ainda fotografar alguns deputados ao pé do rarinho de pilhas ouvindo a leitura da intervenção na Constituição feita pelo então ministro da Justiça, Gama e Silva. Entre eles, os presidentes da Câmara, da Comissão de Justiça e o líder do governo, Zezinho Bonifácio, Djalma Marinho e Geraldo Freyre, além de jornalistas e funcionários. Em seguida, todos tiveram de abandonar o edifício do Congresso.

Câmara e Senado Federal só foram reabertos dez meses depois para referendar, em eleição indireta, a escolha do novo presidente da República, o general Garrastazú Médici, no lugar de Costa e Silva, acometido por uma embolia cerebral.

É verdade que as fotos não são nenhum exemplo de capricho estético. Mas retratam aquele momento dramático da história.

OrlandoBrito

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