Recife e Olinda

Dom Hélder Câmara

DomHelder, OrlandoBrito 66

Pelas leis do Vaticano, todos os cardeais – com exceção daquele que se torna Papa – são obrigados a se aposentar quando chegam à idade de 80 anos. Não foi diferente com o irrequieto Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife por mais de duas décadas. Em 1990, teve de deixar para trás sua infatigável e ideológica vida religiosa. Mudou-se do Palácio Episcopal para a pequenina Igreja das Fronteiras, na Ilha do Leite, bairro da capital pernambucana.
Até o momento de sua morte, em 1999, manteve a simplicidade que trouxe da infância pobre no interior do Ceará, onde nasceu, e noutros estados do Nordeste. Mesmo quando morou na sede da Santa Sé, em Roma, Dom Hélder não abriu mão da humildade e da modéstia. Para ele, o mais importante não era a ostentação e sim o combate às desigualdades sociais.
Como foi – Fui a Recife fotografar Dom Hélder para um livro que publiquei em 1992, “Senhoras e Senhores”. Meu foco eram os “oitentões” mais conhecidos do Brasil. E Dom Hélder era um deles, personagem que fotografei inúmeras vezes. Agora com atividades menos atribuladas acordava religiosamente cedo e celebrava missa, auxiliado por uma freira e um frade. Depois, sentava-se em uma cadeira de balanço, sob a imagem de Jesus para contar histórias e relembrar os tempos em que enfrentava o regime militar do Brasil, de quem foi um dos seus principais contestadores.

Orlando Brito

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