Pandemia e vacina – Palácio Planalto, 8 de dezembro de 2020

 

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Jair Bolsonaro e Eduardo Pazuello — o senhor que preside o País e o general à frente do Ministério da Saúde — em cerimônia no Planalto.

 

Segundo texto distribuído pela Presidência da República “A ideia é que, após a formação, os agentes comunitários assumam mais funções no atendimento à população. Além de ensinar, por exemplo a fazer soro caseiro e a matar mosquitos, irão, também, levar informações sobre doenças e saúde.”Mascara_Vacina_Sinovac_Doria_17B

A morte do romeiro

foi faca

1982. Canindé, cidadezinha da romaria de São Francisco, no sertão do Ceará.
Como foi – Era uma matéria sobre a seca no Nordeste para Veja. Luiz Martins, hoje professor da Universidade de Brasília, poeta, chegamos a Canindé às dez da manhã. Ao percebermos a movimentação num casebre no fim da rua, caminhamos até lá. Curiosos, olhamos a triste e silenciosa cena. Lá estava o cadáver de um senhor coberto com um lençol branco. Na altura do abdômen, duas flores vermelhas e uma estatueta do Padre Cícero.

Os parentes, filhos, netos, a viúva contristados, em torno da cama de madeira tosca e velas acesas. Assustados, não perguntamos a causa da morte. Não foi preciso. Uma senhora com cigarro de palha entre os dedos aproximou-se e nos sussurrou:

- Foi faca!

 

Cartas para Saramago

O escritor português José Saramago recebe as correspondências que chegam a seu endereço de Lisboa. Lisboa, 1993saramago

Como foi –

Fui a Portugal fazer com Luís Costa Pinto várias matérias para a Veja. Uma delas, com o Saramago. Ele resolvera mudar-se para Lanzarote, uma das ilhas Canárias, depois que seu livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi censurado em seu próprio país, em 1991.

Ao lado da mulher espanhola Maria Del Pilar, dizia ter encontrado o lugar ideal para meditar e escrever. Não tirou o pé de lá durante meses. Mas sempre voltava a Lisboa para principalmente atualizar e conferir a correspondência. Afinal, um ganhador do prêmio Nobel de Literatura recebe mensagens de admiradores e amigos de todo o mundo.

O carteiro já sabia que dificilmente encontraria o famoso destinatário e por isso confiava as cartas ao dono da singela quitanda do Mascote, vizinha do modesto apartamento de Saramago, na Rua dos Ferreiros, no Bairro da Estrela, um dos mais tradicionais da agradável da capital portuguesa.

Orlando Brito