Silhueta brasiliense

O soldado embevecido

O incomparável pôr-do-sol de Brasília. Foto Orlando Brito

Dois soldados que montam guarda na Câmara dos Deputados rendem-se à beleza do pôr-do-sol da capital, durante uma das manifestações que sempre acontecem no moderno cenário da Esplanada dos Ministérios.

Era um daqueles fins de tarde em que, nessa época do ano, o céu do Planalto Central se mostra incomparável, com nuvens em tom avermelhado emoldurando a monumental arquitetura dos edifícios de Oscar Niemeyer.

Mas naquele dia chamou-me a atenção o gesto de uma dupla de soldados da Polícia Militar, com a missão de observar do alto do prédio do Congresso, uma das muitas e costumeiras passeatas populares.

Os policiais não abandonaram seu posto de trabalho, mas ficaram alheios aos fatos por alguns instantes e puseram-se a admirar a beleza da cena exclusiva de Brasília.

Orlando Brito

O poder feminino

Ministra Zélia, princesa Isabel e presidente Dilma

Poder feminino, OrlandoBrito pag

Reunião do alto empresariado brasileiro com a economista paulistana Zélia Cardoso de Mello, titular do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento no governo Fernando Collor entre 15 de março de 1990 e 10 de maio de 1991.

Como foiDuas grandes surpresas marcaram a posse de Fernando Collor quando assumiu a Presidência da República. A primeira foi a escolha de uma mulher para conduzir a economia do País. Isso, Zélia Maria Cardoso de Mello passava a comandar a pasta da Fazenda. A segunda, o confisco pelo governo dos investimentos dos brasileiros na caderneta de poupança. Essa dupla novidade atraiu a atenção do noticiário não somente para o Palácio, mas também para a Esplanada dos Ministérios. Eu mesmo, à época fotógrafo de uma revista de São Paulo, passei a cobrir o principal gabinete do Planalto, mas também o da doutora Zélia.

Essa foto bem demonstra o poder e a relevância que tinha a ministra Zélia Cardoso de Mello. Na reunião em uma sala contígua à do Conselho Monetário Nacional, o olhar dos mais importantes empresários do Brasil voltam-se para ela, única mulher presente ao encontro, sentada à cabeceira da mesa.

A passagem de Zélia pelo governo durou catorze meses e ficou marcada não somente pelo confisco poupança de milhões de mutuários, mas também pela redução das alíquotas de importação e a redução dos altos níveis de inflação. Depois que deixou o ministério de Collor, casou-se com o humorista Chico Anísio – falecido em março de 2012 –, com quem teve dois filhos. Atualmente reside em Nova Iorque, onde dirige seu próprio escritório de assessoria.

Portanto, antes de Dilma Vana Rousseff eleger-se presidente, a mulher que mais deteve poder na história do Brasil foi a ministra Zélia Maria Cardoso de Mello, aos 36 anos de idade.

Não custa lembrar a existência de outra brasileira de total prestígio de nossa história: a princesa Isabel. A Lei Áurea, que põe fim à escravidão, leva sua assinatura. O decreto mudou fundamentalmente o destino do povo. Era filha de Dom Pedro II e casada do o Conde D’Eu. Foi também a primeira senadora do país. Só uma curiosidade sobre Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Imperatriz Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil: seu nome completo era Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon.

Burocracia e segurança

Seis homens e um prego

Seis homens e um prego, OrlandoBrito pag ob

O que  poderia ser apenas uma cena comum e insólita no andar térreo do Palácio do Planalto, na verdade revela uma doença eterna e incurável das repartições públicas brasileiras: a burocracia.

Ainda mais quando vem acompanhada do excessivo cuidado com a segurança. Repare nessa foto. Parece brincadeira, mas é realidade: o primeiro funcionário vigia o segundo, que observa o terceiro, que toma conta do quarto. O quinto monta sentinela ou, muito provavelmente procura por outro, enquanto o sexto homem cumpre a simples tarefa de colocar um pequeno prego na parede.

Fotografia é História

Abril de 1977

Ulysses-abril-de-1977-OrlandoBrito 6 fb

Ulysses Guimarães, nascido na pequenina cidade de Itirapina, perto de Rio Claro, em São Paulo. Deputado federal por onze mandatos consecutivos. Advogado e professor. Democrata. Torcedor do Santos. Ministro da Indústria e Comércio nos anos de 1961 e 1962. Um dos fundadores do MDB, foi o destacado condutor da oposição contra o regime militar. Faleceu em 12 de outubro de 1992 a bordo de um helicóptero na Baía de Angra dos Reis. Seu corpo jamais foi encontrado.      
Como foi – Em outubro do próximo ano, 140 milhões de brasileiros irão às urnas para escolher o futuro presidente da República, não custa lembrar que um dos principais responsáveis pela reconquista desse direito democrático foi o Doutor Ulysses Guimarães.
Talvez ele tenha sido o personagem mais expressivo que encontrei em toda minha trajetória de foto-jornalista. Impressionante como sua fisionomia refletia a gravidade de cada momento. Esse aí foi no dia em que o governo fechou o Congresso, em 1977. Sempre digo que Ulysses não era uma simples imagem. Era a efígie de um grande líder.

Orlando Brito   

População

Basta um close

Basta um close, OrlandoBrito pag

Em breve, o Brasil deverá conhecer o resultado do novo censo populacional feito pelo IBGE. Segundo as estatísticas. há em nosso país em torno de 20 milhões de idosos.

Como foi – Como diz um velho ditado chinês, o conjunto é o resultado de uma infinidade de detalhes. Quando parte para uma matéria, um fotógrafo sabe que é importante retratar cada personagem dentro do ambiente em que este vive. São referências visuais, informações que completarão aquilo que dirá o texto do repórter.

Em 1994 o Nordeste sofria uma das freqüentes secas. Viajei durante trinta dias para a Bahia, Ceará, Pernambuco e Piauí, estados onde a situação era mais grave. Minha função era ilustrar com fotografias as matérias de Elio Gaspari para a Folha de São Paulo, Zero Hora e O Globo. Rodamos em torno de dez mil quilômetros. Era uma região que eu já conhecia bastante, de outras vezes em que fui fazer reportagens para Veja, Jornal do Brasil e para o próprio Globo.  

No caso dessa cearense de quase cem anos de idade, porém, não senti a necessidade de acrescentar outros elementos que “falassem” de sua condição de vida. Dispensei o conjunto, optando pelo detalhe. Achei que um close era suficiente para complementar a descrição de Elio sobre a parede da casa que ela habitava.

Orlando Brito