Leônidas da Silva

Diamante Negro, OrlandoBrito 6

Diamante Negro

Não é à toa que Leônidas da Silva mereceu o invejável apelido que virou nome do chocolate mais famoso do País. Considerado um dos deuses do esporte brasileiro, foi goleador nos dez times em que jogou, inclusive na Seleção, nas Copas de 1934 e 1938.

Credita-se a Leônidas invenção da “bicicleta”, o mais belo dos lances do futebol. Campeão várias vezes, o maior ídolo do São Paulo deixou de jogar em 1951. Mas continuou atuando fora dos campos, tornando-se dirigente do clube do Morumbi e depois comentarista de rádio.

Como foiHoje, 24 de janeiro, faz oito anos que o craque faleceu, aos 91 anos, acometido pelo malo de Alzheimer. Lembro-me de quando fui fotografá-lo, em São Paulo Seu Leônidas foi o primeiro dos históricos oitentões e noventões brasileiros que fotografei para o livro “Senhores e Senhores”. Recebeu-me em seu apartamento da Rua Conselheiro Nébias, em São Paulo, ao lado de dona Albertina, a segunda esposa. Elegantemente vestido e voz tranqüila, contou-me por mais de três horas os grandes momentos de sua vida, de suas glórias. Ao final, levou-me até o elevador. À porta, ao despedir-se, disse-me: – Como vês, meu caro, fiz de tudo no mundo do futebol. Inclusive ser fã de Garrincha e Pelé.

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Direto de Copenhague

Alta tecnologia, OrlandoBrito 6

Alta tecnologia

Há vinte anos aconteceu no Brasil a Eco-92, conferência que abordava a situação ecológica da Terra.

Em 2012, chefes-de-Estado, cientistas, ambientalistas e pessoas e entidades interessadas no futuro do planeta reuniram-se no no Brasil, para outra conferência por iniciativa da Organização das Nações Unidas, a Rio+20.

Mas em 2009, também promovida pelas Organizações das Nações Unidas, houve em Copenhague outra conferência de igual importância e que teve como tema principal o aquecimento global, o meio-ambiente. Foi lá, na capital da Dinamarca, que fiz essa foto aí, de um técnico japonês apresentando em uma grande bola de vidro a movimentação de correntes de ar captadas por satélites.

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Ontem e hoje

Jrbas e Simon, OrlandoBrito 6

Jarbas e Simon

A amizade dos senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos vem dos tempos em que lutavam no Congresso contra o regime militar, liderados por Ulysses Guimarães. À época, o governo só permitia o funcionamento de dois partidos. A Arena, que era sua base parlamentar, e o MDB, de oposição, dividido em várias alas. Jarbas e Simon eram pontas-de-lança de uma delas, o Grupo Autêntico, formado pelos liberais.

O MDB tinha também conservadores, os Moderados. Esse grupo venceu a votação interna do partido apresentando Tancredo Neves como concorrente na eleição indireta para concorrer à Presidência contra o candidato do Planalto. Jarbas não concordou e deixou o MDB. Tancredo foi ao Colégio Eleitoral e ganhou. Venceu e morreu. Ao assumir no lugar de Tancredo, José Sarney manteve o convite a Simon para o Ministério da Agricultura. Jarbas filiou-se ao PSB e se elegeu prefeito de Recife. Em 1989, voltou ao antigo partido, agora PMDB, e dele até se tornou seu presidente.

Como foi – Revendo meus negativos antigos, ainda do tempo dos filmes em preto-e-branco, deparei-me com essa raridade: a foto (à esquerda) de Jarbas e Simon durante uma das reuniões do velho MDB nos idos da década de 1970. Pus-me a recordar a trajetória de ambos. Lembrei que, por coincidência, os havia fotografado dias atrás. Consultei meus arquivos mais recentes, já da era digital, e resolvi unir a dupla de imagens para possibilitar um cotejo das duas épocas.

Nem sei quantas vezes eu deixava a cobertura da situação no Planalto para ir à Câmara e ao Senado fotografar os lances da oposição. No Palácio, registrava a defesa da manutenção do regime militar. No Congresso, a luta pela volta da democracia. Jarbas Vasconcellos e Pedro Simon se distanciaram com o correr da história. Hoje, passadas quatro décadas o destino e a política os coloca novamente lado a lado, no Senado.

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Sexta feira, 13

Nuvens negras, OrlandoBrito 6

Fotografia é História

“Prenúncio de nuvens negras sobre a Praça dos Três Poderes”. Pequeno texto de uma discreta nota publicada na página 4 do Jornal do Brasil, em 13 de dezembro de 1968.

Como foi – Tanto na cobertura diária da Presidência da República e no Congresso quanto na redação, percebia-se que o País estava diante de uma hora grave. A Comissão de Justiça da Câmara tinha negado autorização para que se abrisse processo contra o deputado Márcio Moreira Alves, do MDB. O parlamentar havia proferido discurso convocando o povo a boicotar as festividades do 7 de Setembro.

O presidente Costa e Silva – e outros militares da chamada linha-dura das Forças Armadas – queria puni-lo por desrespeito aos ideais do Golpe Militar de 1964. Mas com a negativa não podia fazê-lo, impedido pela Constituição. A menos que ele interferisse na Constituição. E E foi justamente o que fez. Editou o Ato Institucional Número Cinco.

O AI- era uma profunda intervenção constitucional com a qual o Governo fechou a Câmara e o Senado, cassou o mandato de vários parlamentares, instituiu a censura prévia à imprensa, ao teatro, música, cinema e tudo que pudesse produzir opinião. E, ainda, passou a legislar ele mesmo, sem que as questões passassem pelo Congresso.  Passou a governar com decretos-lei.

Eu era um jovem fotógrafo começando na profissão. Assim que li os jornais no fim da tarde do dia 12 de dezembro, apressei-me em transformar em imagem as sugestivas palavras do “Informe JB”, a coluna mais levada em conta daquela época. No mesmo dia daquela edição, horas depois dessa foto, a notícia que a notinha preconizava viria acontecer. No começou da noite, eu estava na Câmara retratando um dos momentos mais sombrios da política brasileira.

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